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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Empoderamento feminino?

Quando ouço falar em empoderamento feminino e vejo como as mulheres de hoje em dia vivem, em geral, não vejo grandes mudanças concretas.

Sinto como se essa expectativa de tomarmos o poder, tenha que ter sempre a participação especial dos homens, como se nós mulheres fôssemos apenas coadjuvantes desse processo todo.

Acredito que essa transformação só virá quando formos conscientes das nossas escolhas, como por exemplo - por que, quando e com quem ter filhos?

Quando escolhemos engravidar, fora de um contexto minimamente seguro para a criança que vai chegar, por exemplo, estamos entre outras coisas, abrindo mão desse poder.

Ou quando escolhemos engravidar para 'prender nosso homem', isso sim é não saber o que é empoderamento e, infelizmente, ainda acontece muito.

Não que a responsabilidade dos nossos filhos seja só nossa, mas muitas vezes será assim na prática.

Outro exemplo é: se o cara bateu em ti e depois diz que está arrependido e você aceita a desculpa e novamente ele bate, até que isso vire rotina - sem que nenhuma providência seja tomada, isso também é abrir mão do poder.

Há algum tempo conheci uma mulher que era vítima de agressões recorrentes e num determinado momento, eu e mais algumas amigas e amigos tentamos ajudar de todas as formas, mesmo nos expondo a sérios riscos com relação a nossa própria segurança.

Dias depois dessa nossa intervenção, soubemos que ela havia aceitado o agressor de volta em casa e nos disse:
"- Tudo aconteceu porque ele não havia tomado seus remédios..."

Essa situação só se 'resolveu' porque certo dia, a agressão foi tão violenta que ela quase morreu e ele teve que fugir para não ser preso.

Ainda penso que se ele voltasse e inventasse qualquer desculpa, ela o aceitaria de volta.

Acredito que assim que nós mulheres criarmos a consciência de que o problema, na maioria das vezes, não está nos outros e que somos nós que temos que nos responsabilizar por cada decisão que tomamos, seremos finalmente muito poderosas.




sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

'O Poder do Silêncio'

Li o livro 'O Poder do Silêncio', de Eckhart Tolle e resolvi transcrever o seguinte trecho:

"Se o passado de uma pessoa fosse o seu passado, se a dor dessa pessoa fosse a sua dor, se o nível de consciência dela fosse o seu, você pensaria e agiria exatamente como ela. Ao compreender isso, fica mais fácil perdoar, desenvolver a compaixão e alcançar a paz."

Sou 'aprendiz de feiticeiro', estou engatinhando com relação a certos ensinamentos, mas resolvi destacar o trecho acima porque acho que esta questão que envolve o outro, é um dos aprendizados mais difíceis para os seres humanos e deve ser trabalhado constantemente. 

Somos exageradamente críticos e nossa sociedade alimenta muito isso, o que faz com que a individualidade seja uma das características mais comuns no mundo contemporâneo.

Esse livro maravilhoso, que pode ser lido de várias maneiras, é escrito sob a forma de sutras, que são poderosos indicadores da verdade da antiga Índia, em estilo de aforismos - frases curtas de fácil entendimento. 

E o melhor de tudo é que, ao contrário dos antigos sutras, os textos não pertencem a nenhuma religião ou tradição e são acessíveis a qualquer pessoa.






domingo, 31 de dezembro de 2017

Não somos 'vítimas da política'

Uma coisa que me irrita muito, é quando ouço alguém falar: 'não gosto de política e nem de políticos'.

Primeiro - essa pessoa está se candidatando a ter que aceitar qualquer tipo de política, políticos e de governantes - sem poder reclamar.

Segundo - provavelmente ela nunca soube escolher seus candidatos nas eleições, se arrependeu das suas escolhas e desistiu.

Nós seres humanos, em geral, temos uma atitude de defesa quando as coisas dão errado ou não acontecem exatamente como queremos - culpamos os outros.

Quando o assunto é política, não assumimos nossos próprios erros e vamos levando a vida usando frases feitas e muitas vezes acabamos 'votando nas pessoas e não nos partidos' - tornando muito fácil para qualquer impostor chegar ao poder.

Afinal, ele não precisa ter história, ele só precisa ser 'simpático' e, se possível, bonito.

Somos os verdadeiros responsáveis por tudo que está acontecendo ao nosso redor - como problemas com a segurança pública, deficiência no atendimento da saúde, desemprego, falta de vagas nas escolas e desestruturação do sistema educacional - com professores que não tem um salário digno, etc.

Temos que mergulhar no assunto e entendermos que somos nós, o povo - os verdadeiros agentes políticos.

Infelizmente, mais e mais políticos oportunistas surgirão se não ampliarmos nossa visão e percebemos que somos nós que temos que mudar, através de escolhas que venham ao encontro dos interesses gerais da população.

Vamos dizer um basta e parar de ser apenas um instrumento de manobra para oportunistas que só pensam em enriquecer às custas da miséria e empobrecimento da classe trabalhadora.