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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Jogo do Copo - Tabuleiro Ouija

Desde criança gosto de histórias de terror e sempre tive pessoas ao meu redor que compactuavam com essa minha paixão...

Na minha infância, nos reuníamos em torno de um adulto, para ouvirmos histórias de terror, geralmente contadas por um familiar ou amigo que adorava nos assustar e ser o centro das atenções até que o desfecho do caso acontecesse.

Outra forma de nos divertimos com terror era quando resolvíamos brincar com um Tabuleiro Ouija confeccionado por nós mesmos, que na época chamávamos 'o jogo do copo' - as coisas aconteciam do mesmo jeito, sempre: íamos por um quarto vazio que existia na minha casa (tinha sido da minha avó que, na época, já havia morrido), acendíamos uma vela, sentávamos em  círculo, espalhávamos o alfabeto no chão e colocávamos nossos dedos indicadores no copo...

O que vinha a seguir se repetia sempre: no primeiro movimento que o copo fizesse - todos corriam desesperados para todos lados e se a janela estivesse aberta, essa também seria uma das formas usadas para fugir correndo.

Não sei como não cansávamos dessa rotina que se repetia sempre, nunca conseguimos levar adiante nosso plano, acabava sempre ali - penso que continuávamos com a brincadeira porque ficávamos presos ao prazer que toda aquela adrenalina no momento da fuga nos causava.

Na escola, logo que começaram os trabalhos em grupo e tínhamos que fazer na casa de alguém, escolhíamos sempre o mesmo local, a casa de uma das colegas que era enorme e tinha nos fundos uns quartos que ninguém usava.

Mal começávamos nosso trabalho da escola, alguém propunha que  passássemos para o que realmente havia nos levado ali - 'o jogo do copo'.

Nessa época já conseguíamos avançar um pouco com relação ao jogo e chegávamos a fazer perguntas ao 'espírito', mas era o pavor da dúvida que nos dava muito prazer: será que aquele movimento do copo tinha sido causado pelo espírito evocado ou havia sido uma das colegas que armou a situação???

Nunca saberei....



sábado, 14 de agosto de 2010

É vagina e ponto!

Falando com uma pessoa, lembrei de uma reunião que participei no colégio dos meus filhos, há mais ou menos seis ou sete anos atrás. Vale a pena contar aqui porque o problema é, com certeza, recorrente.
Durante a reunião, houve um questionamento por parte de uma mãe sobre a abordagem da professora com relação a denominação do orgão sexual feminino.
A professora, contou então, que ao conversar com os alunos sobre o assunto, ouviu de algum aluno ou aluna a palavra "perereca". A partir disso ela resolveu explicar o que era uma perereca e esclareceu sobre a verdadeira denominação.
Percebi, na ocasião, que alguns pais e mães não gostaram da explicação dada e acho que queriam mesmo é que esse assunto sequer fosse tratado.
Fiquei irritada pelo nível da discussão e ainda mais por se tratar de um grupo de pessoas classe média e provavelmente bem informada, onde a maioria teve oportunidade de cursar alguma faculdade.
Tive vontade de gritar para aqueles pais - é vagina e ponto!
Qual é o problema?
Acho que o problema é o distanciamento que muitos preferem manter em suas casas, com suas famílias, quando o assunto é sexo.
Ao usarem termos pejorativos, como "perereca", esse distanciamento fica um pouco garantido até porque é possível fazer piada e causar risos. E enquanto todos riem, provavelmente não haja nenhum tipo de questionamento.
Me surgem duas perguntas inevitáveis - Qual é a qualidade da vida sexual de pais que agem dessa forma? E o que acontece com crianças que tem pais problemáticos como esses?
Acho que mesmo que na escola exista um bom preparo de professores e educadores em geral, se não houver correspondência comportamental em casa, de quase nada adiantará.