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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Turbilhão de emoções em 2020

2020 começou com a retirada do chão sob meus pés...

Minha mãe teve um AVC no início de janeiro e logo depois surgiu a pandemia.

No meio disso tudo, uma das minhas filhas-cachorra ficou doente e depois de um tempo de muita luta para tentar salvá-la, ela acabou morrendo.

O mais incrível de tudo é que quando percebi, já estávamos em dezembro e será Natal dentro de alguns dias - a vida seguiu adiante, como se nada tivesse acontecido!

Como vim parar aqui e agora?

Depois de muita dor e muito aprendizado, estou aqui  resistindo e tentando absorver tudo que aconteceu e que ainda está acontecendo, da melhor maneira possível.

Em muitos momentos, estar no fundo do poço parecia intransponível, mas eu sabia que havia algum motivo maior para eu estar vivendo tudo isso, não podia ser em vão.

Hoje estou voltando a viver de uma forma mais tranquila, dentro do que é possível viver.

Tenho praticado meditação diariamente, o melhor aprendizado que fiz nesse período, realmente faz muita diferença na vida em geral. 

Estou também fazendo consultas com psiquiatra e com psicóloga  para tratar uma depressão que surgiu muito forte no meio de todas essas situações desafiadoras, mas tive a sorte de encontrar bons profissionais e hoje em dia estou bem melhor.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Lua perdida em Porto Alegre


Assunto ainda difícil de abordar, mas acho que chegou a hora: o desaparecimento da minha cachorra que se chama Lua.
Desde o dia 05 de agosto deste ano estamos separadas, nunca mais nos vimos, é triste mas ainda tenho muita esperança de que vou encontrá-la.
Estava "internada" com minha mãe no Instituto de Cardiologia, ela se submeteu a um procedimento no coração. Ficamos no hospital por mais ou menos 24 horas e quando voltamos para casa, percebemos a ausência da Lua.
Ela desapareceu de nossa casa do bairro Glória - Porto Alegre/RS.
Escondi o fato de minha mãe, por quase uma semana - disse que a Lua estava internada numa Clínica Veterinária com um problema numa das patas.
A partir do dia em que percebemos o que havia ocorrido, eu, minha família e a pessoa que trabalha na minha casa, iniciamos uma busca desenfreada, rodando mais de 2000 km, numa verdadeira caçada por todos os lugares possíveis e até nos mais improváveis - chegamos a ir, num sábado à noite, até Alvorada para tentar contatar com o pessoal de uma clínica veterinária onde estava uma cadela muito parecida com Lua que havia sido atropelada e estava em estado grave - claro que não conseguimos, chegamos no local por volta da meia-noite e chovia muito.
Fomos novamente na segunda-feira e constatamos que não era nossa cachorrinha e saí de lá chorando desesperadamente por não ter encontrado a Lua, e por ter presenciado o sofrimento daquele pobre animal.
Uma coisa que percebemos pouco tempo depois do sumiço é que nossa cadela era não só uma vira-lata, amarela, de porte médio, mas também um tipo bem comum entre os animais sem raça definida.
Num segundo momento iniciamos uma panfleteação e colocação de cartazes em postes, estabelecimentos comerciais, pontos de ônibus, onde quer que fosse possível divulgar o desaparecimento. 
Com relação à confecção do material de divulgação, tínhamos uma dúvida - colocar ou não uma recompensa? Acabamos decidindo pela colocação e divulgação da recompensa: 1000 reais.
Houve até uma ligação telefônica de uma vidente, que me ofereceu seus serviços.
Como não estava em condições de recusar qualquer possibilidade de ajuda, acabei indo fazer a consulta.
O local, as pistas fornecidas e a vidente eram muito estranhos e por algum momento fiquei com muito medo do que poderia acontecer, porque afinal, estava sozinha.
Tentei em vão procurar a partir das informações que haviam sido fornecidas.
Outro momento tenso foi quando tivemos meu carro roubado por um rapaz com revólver - minha mãe que ainda estava se recuperando, teve a arma apontada em sua direção para logo após isso, ver o bandido apontando a arma para mim e ameaçando atirar, caso não fizéssemos o que ele queria - pediu para que ficássemos de costas e não fizéssemos nenhum movimento, caso contrário, ele atiraria.
Uma outra coisa que fizemos foi colocar anúncios em jornais, divulgação por uma rádio e até num programa local de TV.
Como tudo na vida, houve também um momento engraçado: um grupo de pessoas na zona sul da cidade viu uma cadela muito parecida com a Lua e disseram, inclusive, que se não fosse ela, seria a irmã sua gêmea.
Fizemos uma verdadeira vigília no local e quando vimos de longe pela primeira vez a cachorrinha, ficamos loucos, desesperados, porque parecia mesmo que era a Lua.
Então, num final de tarde conseguimos capturá-la e a trouxemos para casa.
Quando chegamos, já era quase noite e como o que ela só queria era dormir, a deixamos quietinha num canto seguro.
Nesse primeiro momento ela não comeu e não bebeu água.
Então, no dia seguinte, percebemos o que talvez já sabíamos: não era a Lua.
No momento que tive certeza de que não era a Lua, também tive certeza de que não queria que ela voltasse para as ruas.
Quando a levamos para uma consulta com a veterinária também tivemos confirmada a idade - mais ou menos 7 anos, idade da minha cadela.
Hoje, ela tem nome - Sol. E tem também uma família que a ama.
Houve também os casos de trotes, informações equivocadas, pessoas maldosas e também as pessoas indiferentes, mas a grande maioria tentou e ainda tenta nos ajudar de forma amorosa e comprometida.
Foram dezenas de pistas em diversas regiões da cidade, todas conferidas, sem sucesso.
Até hoje continuamos seguindo pistas que na maioria chegam a partir do Facebook ou de alguma ligação telefônica.
Ainda acredito que vamos encontrá-la.