Estou doente há alguns dias.
E como geralmente acontece, desde sempre, fico carente.
Acho que geralmente consigo expressar sentimentos, idéias, raivas, amores,...
Mas ainda tenho um pouco de dificuldade de falar das minhas carências.
Parei para pensar no porquê dessa barreira e claro que fui buscar a resposta na minha infância.
Encontrei, pelo menos, algum sinal do motivo de lidar tão mal com essa parte de mim, ou falta de mim.
Lembrei de quando não me permitiam reclamar da vida e sempre ouvia: "O que mais tu quer, tem tudo!" ou "Tu não tem motivos para ficar triste”.
O velho estigma da filha única que me acompanha até hoje - tem tudo e é mimada.
Ninguém se preocupa em verificar se isso é verdade ou não.
Acho que foi a partir dessa época que devo ter tirado o foco de quem realmente eu era e passei a compor um personagem, que em muitos momentos me ajudava a sobreviver em situações difíceis, impedindo que eu me tornasse uma pessoa negativa e amarga.
Fui me reencontrar bem mais tarde, com a ajuda da vida, de amores, da análise, de sofrimentos, de alegrias,...
Só então, pude me despedir do meu personagem e voltar a ser eu mesma.