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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Não era uma atividade paranormal...

Dia desses, meu filho comentou com uma das pessoas que trabalham aqui em casa:

- Acho que tem uma pomba no sótão.

Ela entendeu que tinha uma bomba no sótão e ficou apavorada!

Ele então complementou:

- E ela está se mexendo e fazendo muito barulho...

Uma bomba que se movimentava... Ela ficou intrigada com relação ao barulho, mas imaginou que devia estar vindo do detonador e disse:

- Acho que temos que chamar alguém!

Ele intrigado, não entendeu porque seria necessário chamar alguém por causa de uma simples pomba e perguntou para ela quem ela queria que fosse chamado...

A resposta veio de forma enfática:

- A polícia!

Como meu filho não tomou nenhuma atitude, ela se retirou e resolveu voltar às suas tarefas, achando muito estranha a reação dele.

Minutos depois, ele ouviu uma gargalhada e tudo foi esclarecido: ela havia finalmente entendido que não se tratava de uma bomba, e que no máximo haveria uma pobre pomba presa no local.

Esclarecido o fato, eles continuaram conversando e ele disse então que o barulho se assemelhava a passos e ela voltou a ficar nervosa porque lembrou que no dia anterior havia assistido ao programa "Balanço Geral", onde foi noticiada a ação de bandidos conhecidos como "Homens-Aranha" - criminosos que escalam prédios para terem acesso a apartamentos.

Ela pensou:

- Se conseguem escalar prédios, imaginem uma casa de dois pavimentos...

Ela então desceu as escadas correndo e fechou todas as portas, com medo de um ataque de bandidos.

Como todos nós estávamos calmos e porque a casa tem grades, câmeras, cerca elétrica, temos contrato com uma empresa de segurança e temos cachorros que ficam soltos no pátio, penso que ela acabou se tranquilizando com a situação e acabamos esquecendo o fato.

Chegou o final de semana, com mais gente em casa acabamos retomando o assunto porque o barulho continuava e nossa imaginação também.

Mais pessoas ouviam os tais passos e por isso, começamos a dar mais importância ao fato.

Então, brincando, alguém sugeriu que poderia ser uma atividade paranormal e a partir daí começamos a viajar e planejamos que teríamos que subir no sótão com uma câmera, como nos filmes.

Disseram até que poderia ser a Lua, a cadela que perdemos em agosto. Eles se lembraram das vacas que foram encontradas em árvores, recentemente, só que aqui não acontecem enchentes com aquelas proporções... Nada a ver!

A ideia da investigação no local pareceu muito divertida, mas naquela ocasião ninguém tomou a iniciativa, muito menos eu.

Depois de um tempo, finalmente o herói da família fez a verificação no sótão e adivinhem o que era?

Apenas o revestimento do telhado que havia se soltado e com o vento, causava tanto barulho.

A vida, às vezes, é muito previsível...


domingo, 5 de dezembro de 2010

Segurança Pública no Rio de Janeiro

Marcos Rolim fez hoje, uma leitura perfeita sobre o domínio de território por grupos armados no Rio de Janeiro – Zero Hora, página 18.
Lendo sua crônica, lembrei o porquê de não ter me rendido aos apelos jornalísticos quando colocavam pessoas chorando, em telejornais, emocionadas por acreditarem que seus heróis, os policiais, haviam vencido a batalha contra os traficantes...

Vou transcrever aqui, um trecho da referida crônica:

“Por isso, a polarização pressuposta nas coberturas jornalísticas entre “polícia” e “traficantes” não existe no RJ. Traficantes mantêm bases territoriais e pontos fixos de venda porque compram proteção dos segmentos criminosos das polícias. Tudo funciona como em uma S/A de capital fechado. Boa parte das armas do tráfico é fornecida por policiais que, assim, colocam em risco a vida de todos, sobretudo a vida dos policiais honestos, aqueles que – apesar dos baixos salários – honram sua missão e nos protegem. Estes estão fora da “sociedade” e, por isso, correm riscos extras em suas corporações.”

E sobre o combate eficaz contra o tráfico:

"Para derrotá-lo, será necessária uma política pública de redução de danos que permita segmentar o mercado com experiências progressivas de legalização das drogas. A opinião pública no Brasil, entretanto, por desinformação e preconceito, não está disposta sequer a fazer este debate. Os traficantes e seus sócios, é claro, agradecem."