Dia desses, meu filho comentou com uma das pessoas que trabalham aqui em casa:
- Acho que tem uma pomba no sótão.
Ela entendeu que tinha uma bomba no sótão e ficou apavorada!
Ele então complementou:
- E ela está se mexendo e fazendo muito barulho...
Uma bomba que se movimentava... Ela ficou intrigada com relação ao barulho, mas imaginou que devia estar vindo do detonador e disse:
- Acho que temos que chamar alguém!
Ele intrigado, não entendeu porque seria necessário chamar alguém por causa de uma simples pomba e perguntou para ela quem ela queria que fosse chamado...
A resposta veio de forma enfática:
- A polícia!
Como meu filho não tomou nenhuma atitude, ela se retirou e resolveu voltar às suas tarefas, achando muito estranha a reação dele.
Minutos depois, ele ouviu uma gargalhada e tudo foi esclarecido: ela havia finalmente entendido que não se tratava de uma bomba, e que no máximo haveria uma pobre pomba presa no local.
Esclarecido o fato, eles continuaram conversando e ele disse então que o barulho se assemelhava a passos e ela voltou a ficar nervosa porque lembrou que no dia anterior havia assistido ao programa "Balanço Geral", onde foi noticiada a ação de bandidos conhecidos como "Homens-Aranha" - criminosos que escalam prédios para terem acesso a apartamentos.
Ela pensou:
- Se conseguem escalar prédios, imaginem uma casa de dois pavimentos...
Ela então desceu as escadas correndo e fechou todas as portas, com medo de um ataque de bandidos.
Como todos nós estávamos calmos e porque a casa tem grades, câmeras, cerca elétrica, temos contrato com uma empresa de segurança e temos cachorros que ficam soltos no pátio, penso que ela acabou se tranquilizando com a situação e acabamos esquecendo o fato.
Chegou o final de semana, com mais gente em casa acabamos retomando o assunto porque o barulho continuava e nossa imaginação também.
Mais pessoas ouviam os tais passos e por isso, começamos a dar mais importância ao fato.
Então, brincando, alguém sugeriu que poderia ser uma atividade paranormal e a partir daí começamos a viajar e planejamos que teríamos que subir no sótão com uma câmera, como nos filmes.
Disseram até que poderia ser a Lua, a cadela que perdemos em agosto. Eles se lembraram das vacas que foram encontradas em árvores, recentemente, só que aqui não acontecem enchentes com aquelas proporções... Nada a ver!
A ideia da investigação no local pareceu muito divertida, mas naquela ocasião ninguém tomou a iniciativa, muito menos eu.
Depois de um tempo, finalmente o herói da família fez a verificação no sótão e adivinhem o que era?
Apenas o revestimento do telhado que havia se soltado e com o vento, causava tanto barulho.
A vida, às vezes, é muito previsível...
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quinta-feira, 24 de julho de 2014
Não era uma atividade paranormal...
domingo, 5 de dezembro de 2010
Segurança Pública no Rio de Janeiro
Marcos Rolim fez hoje, uma leitura perfeita sobre o domínio de território por grupos armados no Rio de Janeiro – Zero Hora, página 18.
Lendo sua crônica, lembrei o porquê de não ter me rendido aos apelos jornalísticos quando colocavam pessoas chorando, em telejornais, emocionadas por acreditarem que seus heróis, os policiais, haviam vencido a batalha contra os traficantes...
Vou transcrever aqui, um trecho da referida crônica:
“Por isso, a polarização pressuposta nas coberturas jornalísticas entre “polícia” e “traficantes” não existe no RJ. Traficantes mantêm bases territoriais e pontos fixos de venda porque compram proteção dos segmentos criminosos das polícias. Tudo funciona como em uma S/A de capital fechado. Boa parte das armas do tráfico é fornecida por policiais que, assim, colocam em risco a vida de todos, sobretudo a vida dos policiais honestos, aqueles que – apesar dos baixos salários – honram sua missão e nos protegem. Estes estão fora da “sociedade” e, por isso, correm riscos extras em suas corporações.”
E sobre o combate eficaz contra o tráfico:
"Para derrotá-lo, será necessária uma política pública de redução de danos que permita segmentar o mercado com experiências progressivas de legalização das drogas. A opinião pública no Brasil, entretanto, por desinformação e preconceito, não está disposta sequer a fazer este debate. Os traficantes e seus sócios, é claro, agradecem."
Lendo sua crônica, lembrei o porquê de não ter me rendido aos apelos jornalísticos quando colocavam pessoas chorando, em telejornais, emocionadas por acreditarem que seus heróis, os policiais, haviam vencido a batalha contra os traficantes...
Vou transcrever aqui, um trecho da referida crônica:
“Por isso, a polarização pressuposta nas coberturas jornalísticas entre “polícia” e “traficantes” não existe no RJ. Traficantes mantêm bases territoriais e pontos fixos de venda porque compram proteção dos segmentos criminosos das polícias. Tudo funciona como em uma S/A de capital fechado. Boa parte das armas do tráfico é fornecida por policiais que, assim, colocam em risco a vida de todos, sobretudo a vida dos policiais honestos, aqueles que – apesar dos baixos salários – honram sua missão e nos protegem. Estes estão fora da “sociedade” e, por isso, correm riscos extras em suas corporações.”
E sobre o combate eficaz contra o tráfico:
"Para derrotá-lo, será necessária uma política pública de redução de danos que permita segmentar o mercado com experiências progressivas de legalização das drogas. A opinião pública no Brasil, entretanto, por desinformação e preconceito, não está disposta sequer a fazer este debate. Os traficantes e seus sócios, é claro, agradecem."
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